Fernanda Pereira Martins Leonardo Batista Pedroso Rildo Aparecido Costa (Organizadores)

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Ano 2021

Fernanda Pereira Martins Leonardo Batista Pedroso Rildo Aparecido Costa (Organizadores)

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Geografia, ensino e construção de conhecimentos 2

Diagramação: Camila Alves de Cremo Correção: Flávia Roberta Barão Indexação: Gabriel Motomu Teshima Revisão: Os autores Organizadores: Fernanda Pereira Martins Leonardo Batista Pedroso Rildo Aparecido Costa

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)

G345 Geografia, ensino e construção de conhecimentos 2 / Organizadores Fernanda Pereira Martins, Leonardo Batista Pedroso, Rildo Aparecido Costa. - Ponta Grossa - PR: Atena, 2021.

Formato: PDF

Requisitos de sistema: Adobe Acrobat Reader Modo de acesso: World Wide Web

Inclui bibliografia

ISBN 978-65-5983-354-2

DOI: https://doi.org/10.22533/at.ed.542210608

1. Geografia. |. Martins, Fernanda Pereira (Organizadora). Il. Pedroso, Leonardo Batista (Organizador). Ill. Costa, Rildo Aparecido (Organizador). IV. Título.

CDD 910

Elaborado por Bibliotecária Janaina Ramos - CRB-8/9166

Atena Editora

Ponta Grossa - Paraná - Brasil Telefone: +55 (42) 3323-5493 www.atenaeditora.com.br contatoBatenaeditora.com.br

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DECLARAÇÃO DOS AUTORES

Os autores desta obra: 1. Atestam não possuir qualquer interesse comercial que constitua um conflito de interesses em relação ao artigo científico publicado; 2. Declaram que participaram ativamente da construção dos respectivos manuscritos, preferencialmente na: a) Concepção do estudo, e/ou aquisição de dados, e/ou análise e interpretação de dados; b) Elaboração do artigo ou revisão com vistas a tornar o material intelectualmente relevante; c) Aprovação final do manuscrito para submissão.; 3. Certificam que os artigos científicos publicados estão completamente isentos de dados e/ou resultados fraudulentos; 4. Confirmam a citação e a referência correta de todos os dados e de interpretações de dados de outras pesquisas; 5. Reconhecem terem informado todas as fontes de financiamento recebidas para a consecução da pesquisa; 6. Autorizam a edição da obra, que incluem os registros de ficha catalográfica, ISBN, DOI e demais indexadores, projeto visual e criação de capa, diagramação de miolo, assim

como lançamento e divulgação da mesma conforme critérios da Atena Editora.

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DECLARAÇÃO DA EDITORA

A Atena Editora declara, para os devidos fins de direito, que: 1. A presente publicação constitui apenas transferência temporária dos direitos autorais, direito sobre a publicação, inclusive não constitui responsabilidade solidária na criação dos manuscritos publicados, nos termos previstos na Lei sobre direitos autorais (Lei 9610/98), no art. 184 do Código penal e no art. 927 do Código Civil; 2. Autoriza e incentiva os autores a assinarem contratos com repositórios institucionais, com fins exclusivos de divulgação da obra, desde que com o devido reconhecimento de autoria e edição e sem qualquer finalidade comercial; 3. Todos os e-book são open access, desta forma não os comercializa em seu site, sites parceiros, plataformas de e-commerce, ou qualquer outro meio virtual ou físico, portanto, está isenta de repasses de direitos autorais aos autores; 4. Todos os membros do conselho editorial são doutores e vinculados a instituições de ensino superior públicas, conforme recomendação da CAPES para obtenção do Qualis livro; 5. Não cede, comercializa ou autoriza a utilização dos nomes e e- mails dos autores, bem como nenhum outro dado dos mesmos, para qualquer finalidade que

não o escopo da divulgação desta obra.

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APRESENTAÇÃO

Discutir o ensino neste momento de grandes reflexões e mudanças na sociedade é essencial. Diversas transformações no âmbito da educação têm ocorrido, especialmente quanto à organização curricular, o que pode impactar diretamente grandes áreas do conhecimento, como a Geografia.

A coleção “Geografia, Ensino e Construção de Conhecimentos 2” constitui-se em palco para discussão dos diversos saberes associados ao ensino-aprendizagem no âmbito da ciência geográfica. A obra é composta por pesquisas que englobam relatos de casos e/ ou revisões bibliográficas em diversas esferas da educação.

A coleção de artigos aqui inserida demonstra a diversidade de temas, teorias e metodologias que são empregadas no processo da construção da consciência geográfica. O livro é constituído por 20 capítulos, que remontam distintas experiências no contexto supracitado, cada qual com sua expertise e contribuições epistemológicas.

Assim, essa coletânea se concretiza a partir do empenho de vários pesquisadores, os quais representam diversas instituições de ensino e de pesquisa e que aqui deixam suas contribuições para ampliar as discussões dentro do ensino-aprendizagem da Geografia.

Que essa leitura seja de grande valia e possa gerar reflexões importantes que

venham a somar em sua trajetória na ciência geográfica.

Fernanda Pereira Martins Leonardo Batista Pedroso Rildo Aparecido Costa

SUMÁRIO

CAPITULO A ara Ai add 1

MOVIMENTO DE RENOVAÇÃO DA GEOGRAFIA E FORMAÇÃO DO PROFESSOR DE GEOGRAFIA NO BRASIL Ana Rita Xavier

d) https://doi.org/10.22533/at.ed.5422106081

CAPILAR ara CRETA ug RR a 9

UNIVERSIDADES OCIDENTALIZADAS: DA CÂNONE EPISTÊMICA DO SECULO XVI À CONTRA HEGEMONIA NO SÉCULO XXI Tiago Sandes Costa

d) https://doi.org/10.22533/at.ed.5422106082

[67.V:) BU) 6 Ex 18

O ENSINO DA GEOGRAFIA E O DESENVOLVIMENTO DAS COMPETÊNCIAS E HABILIDADES INTERPESSOAIS

Rodrigo Boeing Althof

Thiago Domingos Marques

é) hitps://doi.org/10.22533/at.ed.5422106083

CAPITULO Asia iii 30

CARACTERÍSTICAS E EPISTEMOLOGIA DA GEOGRAFIA GREGA Ewerton Ferreira Cruz Glaycon de Souza Andrade e Silva José Henrique Izidoro Apezteguia Martinez Deborah Cristina da Rocha

é) https://doi.org/10.22533/at.ed.5422106084

CAPITULOS asas 45

ELABORAÇÃO DE BASE DE CONCEITOS PARA DISSERTAÇÃO DE MESTRADO EM GEOGRAFIA

Diego Paschoal de Senna

Lisandro Pezzi Schmidt

d) https://doi.org/10.22533/at.ed.5422106085

CAPITULO O c2ssa72io 2022 ra 54

A CARTOGRAFIA PARA LER O MUNDO: UMA PROPOSTA METODOLÓGICA Ana Paula Dechen Rodrigues Pedro da Costa Alamy Tulio Barbosa Vinícius Fernandes Alves Maria Clara Martins de Oliveira

é https://doi.org/10.22533/at.ed.5422106086

CAPITULO 75,2 do ie e E 65

QLLAKI: PRODUÇÃO DE SOFTWARE BASEADO EM DADOS GEOMÁTICOS DA FRONTEIRA Rodrigo Freire dos Santos Alencar

d)) https://doi.org/10.22533/at.ed.5422106087

CAPITULO Bisa dao io E 78

A CARTOGRAFIA TEMÁTICA NA SALA DE AULA COMO ESTRATÉGIA DE VALORIZAÇÃO DO PATRIMÔNIO CULTURAL Marcela Maria Patriarca Mineo

é) hitps://doi.org/10.22533/at.ed.5422106088

CAPRI WO Saad 87

A FORMAÇÃO DE PROFESSORES PARA O TRABALHO COM A CARTOGRAFIA ESCOLAR NAS SERIES INICIAIS

Adriana Salviato Uller

Amanda Weridyana Uller

é) hitps://doi.org/10.22533/at.ed.5422106089

CAPITULO O s;2icia oo 98

A UTILIZAÇÃO DO PROCESSO DE GEOCODING E SOFTWARES LIVRES PARA GESTÃO DE DADOS GEOESPACIAIS DA COVID-19 EM BELÉM-PA

Arthur José da Silva Rocha

Erick Peuriclepes Rodrigues da Silva

Marcos Gabriel Silva e Silva

Mozart dos Santos Silva

João Matheus dos Santos Leal

Andrea Alves Valente

Adler Henrique Rodrigues Alves

é) hitps://doi.org/10.22533/at.ed.54221060810

EPT O agi 111

BALANÇO DE ENERGIA COM IMAGENS LANDSAT 8 EM LIMOEIROS SOB DIFERENTES SISTEMAS DE IRRIGAÇÃO NO SUDESTE DO BRASIL

Antônio Heriberto de Castro Teixeira

Tiago Barbosa Struiving

Janice Freitas Leivas

João Batista Ribeiro da Silva Reis

Fúlvio Rodriguez Simão

d) https://doi.org/10.22533/at.ed.54221060811

[67.V) E 00) o Ds [RR 123

A ATUAL CONFIGURAÇÃO DO PUNCTUM DOLENS BRASILEIRO NO SÉCULO XXI Wendell Teles de Lima Ana Maria Libório de Oliveira Sebastião Perez de Souza

Marcelo Lacortt Rita Dácio Falcão Maércio de Oliveira Costa

d)) https://doi.org/10.22533/at.ed.54221060812

CAPITULO Saia o Ra DS O 135 A VULNERABILIDADE DE INFRAESTRUTURA E MEIO AMBIENTE DOS MUNICÍPIOS INSERIDOS NA BACIA DO RIO PIRACICABA/MG

Ewerton Ferreira Cruz

Alecir Antonio Maciel Moreira

José Henrique Izidoro Apezteguia Martinez

d https://doi.org/10.22533/at.ed.54221060813

CAPITULO IA, sais 149

IMPACTOS SOCIOAMBIENTAIS E RECUPERAÇÃO DE ÁREAS DEGRADADAS APÓS O MEGADESASTRE DE 2011 EM NOVA FRIBURGO (RJ)

Denise de Almeida Gonzalez

Alexander Josef Tobias da Costa

d)) https://doi.org/10.22533/at.ed.54221060814

CAPITULO 15: cio ia eq Sia 160

AMEAÇA DE INUNDAÇÃO NA REGIÃO DA CALHA NORTE - ESTADO DO PARÁ - AMAZÔNIA

Marcos Vinicius Rodrigues Quintairos

Eliane de Jesus Miranda Santana

d) https://doi.org/10.22533/at.ed.54221060815

CAPITULO TOS za ia ideia 174

ANÁLISE DA SEGREGAÇÃO SOCIOESPACIAL URBANA EM RONDONÓPOLIS (MT), A PARTIR DOS ESPAÇOS PUBLICOS DE LAZER INSTALADOS

Rubens Petri Torres

Silvio Moises Negri

d) https://doi.org/10.22533/at.ed.54221060816

CAPITULO 172 is asia ii 189

CEMITÉRIO HARMONIA: UMA APROXIMAÇÃO ENTRE ARQUITETURA E PATRIMÔNIO CULTURAL NO MUNICÍPIO DE TELÊMACO BORBA (PR)

Ingrid Cristina Ligoski de Avila

Brunna Adla Ferreira

d) https://doi.org/10.22533/at.ed.54221060817

CAPÍTULO Bai 195

EVOLUÇÃO HISTÓRICA E URBANA DE CONTRASTE URBANO EM ÁREA RESIDENCIAL NA CIDADE DE SÃO LUIS - MA: PENINSULA DA PONTA D'AREIA E ILHINHA

Walber da Silva Pereira Filho

Hugo José Abranches Teixeira Lopes Farias

Marluce Wall de Carvalho Venancio Saulo Ribeiro dos Santos

é) https://doi.org/10.22533/at.ed.54221060818

CAPITULO 19 sair 206 MATERIAIS DIDÁTICOS NO ENSINO DE GEOGRAFIA: PRÁTICAS EM SALA

Lia Dorotéa Pfluck

é) https://doi.org/10.22533/at.ed.54221060819

CAPÍTULO 20: sia den o 224

TRAJETÓRIAS DE VIDA E MIGRAÇÕES DO TRABALHO PARA O CAPITAL NO AGROHIDRONEGOCIO CANAVIEIRO NA 102 REGIAO ADMINISTRATIVA DE PRESIDENTE PRUDENTE (SP)

Fredi dos Santos Bento

Antonio Thomaz Junior

d)) https://doi.org/10.22533/at.ed.54221060820 SOBRE OS ORGANIZADORES ............... nene eeeeeererarareraranananaaa 236 ÍNDICE REMISSIVO............ aeee rare ra rara rara aeee araras 237

CAPÍTULO 1

MOVIMENTO DE RENOVAÇÃO DA GEOGRAFIA E FORMAÇÃO DO PROFESSOR DE GEOGRAFIA NO

Data de aceite: 02/08/2021

Ana Rita Xavier

Escola Municipal Vereador Raymundo Hargreaves http://lattes.cnpq.br/8762942204092414

RESUMO: O Artigo discorre sobre: o movimento de renovação da geografia, o processo de formação de professores e a geografia como disciplina científica no Brasil. A intenção é compreender os caminhos do movimento de renovação geográfica e verificar que muitas foram às produções, os debates, os encalços para concretização deste movimento. A efetivação no ensino não possibilitou uma melhor formação dos profissionais envolvidos com o ensino-aprendizagem de Geografia, como abriu caminhos para aqueles que veem a Geografia como possibilidade de mudança de uma realidade que nos parece tão complexa. PALAVRAS-CHAVE: Conhecimento, disciplina, espaço geográfico.

MOVEMENT TO RENEW THE GEOGRAPHY AND FORMATION OF THEGEOGRAPHY TEACHER IN BRAZIL ABSTRACT: The article discusses: the renewal movement of geography, the process of teacher education and geography as a scientific discipline in Brazil. The intention is to understand the paths of the movement of geographic renewal and verify that many went to the productions, debates, the trails to achieve this movement. Effective teaching

Geografia, ensino e construção de conhecimentos 2

BRASIL

not only enabled a better training of professionals involved with teaching-learning Geography, but also opened paths for those who see Geography as a possibility to change a reality that seems so complex to us.

KEYWORDS: Knowledge, Discipline, Geographic Space.

MOVIMENTO DE RENOVAÇÃO DA GEOGRAFIA

A Geografia como área de conhecimento foi valorizada desde a antiguidade na Grécia antiga onde os estudos geográficos estiveram vinculados à filosofia, matemática e as ciências da natureza. Seus conhecimentos delinearam- se com Tales e Anaximandro que privilegiavam a medição do espaço e discutiam sobre a forma da Terra. Com Heródoto, a descrição dos lugares sob a ótica regional. Quanto à relação homem e meio foi defendida por Hipocrates. Contudo, não havia uma especificação da Geografia e com conhecimento qual se encontrava disperso sem conteúdo unitário.

No entanto, com o fim da Idade Média e renascimentos das rotas comerciais a Geografia ganhou maior força. Até o final do século XVIII não foi possível falar de conhecimento geográfico com unidade temática. O conceito de Geografia consistia em relatos de viagem, compêndios de curiosidades sobre lugares relatórios estatísticas,

exóticos, catálogos

sistemáticos sobre os continentes e os países

Capítulo 1

do Globo etc. Para Moraes (1991, p.34), “[...] trata-se de todo um período de dispersão do conhecimento geográfico, onde é impossível falar dessa área de conhecimento como um todo sistematizado e particularizado”.

A expansão do capitalismo, o desenvolvimento comercial e industrial no início do século XIX foram fatores que contribuíram efetivamente para que a Geografia se tornasse uma ciência independente e com base científica e específica. A sistematização geográfica colaborou, segundo Moraes (1991, p. 34), efetivamente para o processo de consolidação do capitalismo na Europa devido aos “[...] avanços e domínio das relações capitalistas de produção. E na própria constituição do modo de produção capitalista”.

Para Martins (2005), a Geografia como disciplina acadêmica surgiu e foi introduzida na Universidade, em 1870, na Alemanha, através de Humboldt e Ritter. Fato semelhante ocorreu na França com os trabalhos de Paul Vidal de La Blache que foi de extrema importância para a evolução da história do pensamento geográfico. Quanto ao Brasil, as últimas décadas do século XIX foram decisivas para a ciência geográfica que

[...] passou a ganhar importância com a criação do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (IHGB), em 1838, e da Sociedade Geográfica do Rio de Janeiro (SGRJ), em 1883. Essas instituições contribuíram no sentido de impulsionar os estudos e o ensino da geografia, utilizados no reconhecimento do território e na constituição de uma identidade nacional. (MARTINS, 2005, p. 2).

Com o incentivo dessas instituições a Geografia se firmou como disciplina no século XX e foi muito utilizada no reconhecimento do território e na constituição de uma identidade nacional, principalmente após a Segunda Guerra Mundial.

Com a implantação de novas tecnologias houve mudanças na economia, pois cresceu a urbanização e a industrialização. Esses fatores fizeram com que a realidade do espaço se modificasse principalmente no setor agrário, que foi envolvido pela mecanização

agrícola. O crescimento econômico fez com que

as realidades locais paulatinamente tornassem elos de uma rede articulada em nível nacional e mundial, ou seja, cada lugar deixou de explicar-se por si mesmo como produto de longa relação (dialética), histórica entre a vida do homem em sociedade e o meio natural transformado em meio geográfico por esse mesmo homem. (PONTUSCHKA, 2007 p. 51).

O espaço geográfico mediado pelo capitalismo tornou-se difícil de explicar, sendo assim, as metodologias usadas pela Geografia vigente não davam conta de solucionar toda essa complexidade. Assim, uma nova vertente de pensamentos surgiu para fundamentar e contribuir com a ciência geográfica. Essa nova linha de pensamento é denominada como o Movimento de Renovação da Geografia.

Para Moraes (1991) o movimento de renovação aconteceu porque a Geografia Tradicional entrou em crise e novamente perguntou-se qual o objeto, o método e o significado dessa disciplina. Como respostas a tais indagações foram buscar em novas

Geografia, ensino e construção de conhecimentos 2 Capítulo 1 ER

técnicas os caminhos para liberdade de maior criação e reflexão para análise geográfica. Porém, este movimento se dispersou e terminou por gerar ideias antagônicas e excludentes que resultaram em dois grandes movimentos: a Geografia Pragmática e a Crítica.

A Geografia Pragmática, segundo Moraes (1991), remete uma crítica ao conhecimento tradicional qual era totalmente voltado para o passado. Dessa forma, propõe um conhecimento voltado para o futuro, cuja finalidade era criar uma tecnologia geográfica de intervenção na realidade.

Esta Geografia foi um instrumento de dominação burguesa por ligar-se ao sistema capitalista o qual monopoliza, busca a maximização dos lucros, a manutenção do capital e a exploração do trabalho. No entanto, teve sérias críticas com relação a sua contribuição, pois

[...] simplifica arbitrariamente o universo da análise geográfica, torna-o mais abstrato, mais distante do realmente existente. Seus autores empobrecem a Geografia, ao conceber múltiplas relações entre os elementos da paisagem, como relações matemáticas, meramente quantitativas. Empobrecem a Geografia, ao conceber a superfície da terra (para o pensamento tradicional a “morada do homem” ou o “teatro da História”), como um espaço abstrato de fluxos, ou uma superfície isotrópica, sob a qual se inclina o planejador, e assim a desistoricizam e a desumanizam. (MORAES, 1991, p.117).

Em síntese, esta linha de pensamento simplifica o espaço defende a burguesia, retalha o objeto e se afasta da proposta de encontrar o objeto da Geografia perdendo espaço para a Geografia Crítica. Esta tem por objetivo se posicionar de forma radical frente ao pensamento anterior buscando a transformação da realidade social. Entre inúmeros autores optamos por destacar aqui apenas Milton Santos e Yves Lacoste.

Assim como outros pensadores, Santos e Lacoste buscaram fazer ampla avaliação de todo pensamento que acompanhou a Geografia até meados do século XX. Suas críticas são direcionadas inicialmente para o meio acadêmico em que o empirismo, a estrutura acadêmica, o apego às velhas teorias, o isolamento dos geógrafos e a despolitização do discurso geográfico reinavam nos centros acadêmicos e que percorreram como um todo o pensamento tradicional.

Tais autores elaboraram suas teorias mostrando o papel que a Geografia ocupa no campo do saber. Um saber que visa a transformação da realidade social, que possui conhecimento científico, mas que também milite a favor de uma sociedade mais igualitária e que possa ser instrumento de libertação do homem.

O geógrafo Lacoste (1977), quando escreveu o seu livro “A geografia serve, antes de mais nada, para fazer a guerra”, coloca que o saber geográfico ocupa dois planos: a Geografia dos Estado-Maiores ligada à própria prática do poder e a Geografia dos Professores denominada como tradicional. Para Lacoste (1977), a Geografia funciona como instrumento de dominação da burguesia, dotada de alto potencial prático e ideológico. Segundo este autor, é preciso romper com este pensamento propondo novas ideias e

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perspectivas renovadoras para denunciar o que percebemos o que está na contramão da transformação. Ele ainda argumenta que é necessário conhecer o espaço para nele se organizar e combater.

Santos (1978) com sua obra: Por uma Geografia Nova expõe sua concepção do objeto geográfico, argumenta que é necessário discutir o espaço social, pois este é a morada do homem. Dessa forma, é preciso estar nele e aprender toda sua dinâmica porque será através dele que ressurgirão novas formas de organizações espaciais para a ação humana. Ter o entendimento da ação humana sobre a superfície terrestre é essencial para reformular e pensar o espaço como lugar de luta e transformações sociais.

Segundo Moraes (1991), Milton Santos avança em suas análises e acentua que a unidade de estudo do geógrafo deve ser o Estado Nacional, devido à variedade de lugares contida em seu território. Esta diferença de lugares envolvendo os aspectos históricos, naturais e variáveis originadas da acumulação desigual do tempo é que possibilitam o processo contínuo de modernização, definindo o objeto de preocupação do geógrafo. Neste contexto, cabe então ao geógrafo fazer uma Geografia mais generosa e visualizar o espaço mais organizado a favor dos interesses humanos.

Neste contexto, que a partir da década de 80, começaram a ocorrer mudanças mais radicais no ensino de Geografia no Brasil, advindas das discussões teórico-metodológicas que se desenvolviam no meio acadêmico. Entre os trabalhos que contribuíram para essa renovação podemos citar, dentre outros, os de José W. Vesentini, Antônio Carlos Roberto de Moraes, Manuel Correa de Andrade, Ariovaldo U. Oliveira como também o de Milton Santos.

Estes autores, juntamente com a Associação dos Geógrafos Brasileiros (AGB), fomentaram discussões e abordagens a respeito do ensino de Geografia e a formação dos docentes, visando uma Geografia mais crítica e próxima à realidade social.

A GEOGRAFIA COMO DISCIPLINA CIENTÍFICA

A Geografia enquanto disciplina científica segue a lógica do contexto sócio-político e econômico do século XIX. existia nesta época, ainda em processo, a industrialização, urbanização, escolarização da sociedade e a construção dos Estados-nações o que contribuía para a expansão do capitalismo. Em meio a todos estes ideários havia um instrumento metodológico: o positivismo. As ideias positivistas influenciaram efetivamente a Geografia e contribuíram para legitimar o conhecimento científico nessa área.

Este método científico era desenvolvido através da observação, descrição e classificação dos fatos, restringindo-se aos aspectos visíveis e mensuráveis do estudo. Dessa forma, o ensino de Geografia era puramente descritivo das paisagens humanas e naturais e não havia qualquer tipo de relação entre elas.

No Brasil, não havia professores com licenciatura e bacharelado para lecionar

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Geografia. Os professores que ministravam as aulas eram médicos, advogados, seminaristas e outros profissionais oriundos de variadas faculdades e também das escolas normais.

É preciso salientar que, a Geografia ensinada nas escolas era puramente extraída dos livros didáticos escritos por não geógrafos. Isso nos remete a repetição, memorização e descrição dos rios, serras, capitais, cidades e outros; características próprias da Geografia Tradicional e da realidade científica da época.

Este período também é conhecido, segundo Pontuschka (2007, p. 46) como a “pré- história da Geografia”. Tal período foi importantíssimo para a produção geográfica porque, mesmo sendo produzida por profissionais não formados na área, estes pesquisadores faziam parte da Comissão Geográfica e Geológica, criada em 1886. Estes foram responsáveis por elaborar pesquisas ligadas ao espaço como: levantamentos detalhados sobre hidrografia, geologia, solo, vegetação, cartas topográficas e outros.

Com a difusão da escolarização para um maior número de pessoas e a instituição da Geografia como disciplina básica, aprofundou-se a preocupação com a formação acadêmica do professor dessa área de conhecimento. Para Pontuschka (2007), a fundação da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade de São Paulo (FFCL/USP), em 1934, a Universidade do Distrito Federal, absorvida em 1938, pela Universidade do Brasil, atual Universidade Federal do Rio de Janeiro e do Departamento de Geografia em 1946, foram essenciais para o desenvolvimento da ciência geográfica no país.

A fundação da FFCL/USP contribuiu para mudanças no perfil do professor de Geografia, pois com a implementação do bacharelado e licenciatura houve uma importante mudança cultural e, acima de tudo, na sala de aula e na produção geográfica. Sendo assim,

a formação docente em Geografia desenvolveu-se com o crescimento da produção científica baseada em trabalhos de campo, realizada com estudantes e vinculados à literatura geográfica de origem francesa ou alemã, acrescida da crítica dos professores brasileiros. O aluno, ao completar sua formação inicial, tornava-se professor de História e Geografia. (PONTUSCHKA, 2007, p.48).

Paralelo à criação da Universidade de São Paulo (USP), foi fundada também Associação dos Geógrafos Brasileiros (AGB) que ainda exerce fundamental importância para todos que acreditam e produzem conhecimento geográfico.

Cabe destacar que a AGB iniciou a publicação do Boletim Paulista de Geografia (BPG) com seções dedicadas ao ensino o que ajudou como fonte bibliográfica, tanto para o ensino fundamental, como para o médio.

Ainda na década de 40 e 50, do século XX, havia uma relevância para os estudos regionais, em que o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) exerceram papel fundamental nas pesquisas geográficas. Estas pesquisas foram utilizadas pelos professores

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para complementar suas aulas e os editores a publicavam em seus livros.

Contudo, foi em 1957 que um grande passo foi dado para a consolidação do ensino de Geografia no país, pois foi neste ano que ocorreu o desmembramento do curso, passando a existir vestibulares específicos para História e Geografia.

FORMAÇÃO DO PROFESSOR DE GEOGRAFIA NO BRASIL

Foi com o decreto 19851 de 11 de abril de 1931 que o Ministro Francisco Campos introduziu o sistema universitário renovando o Ensino Superior no Brasil. Foram criadas as Faculdades de Educação, Ciências e Letras que abrigou vários cursos e entre eles o de Geografia.

Neste momento, os cursos de História e Geografia ainda se constituíam em uma única graduação e eram ministrados por professores oriundos da Europa. A partir de 1936 foram formados os primeiros professores licenciados para atuar no Ensino Secundário.

Conforme Rocha (2000), os novos licenciados tornaram-se elementos importantes para a mudança cultural da época, pois pela primeira vez surgiam professores que haviam tido formação que os qualificava para o exercício da Geografia.

Para Rocha (2000), houve uma difusão de cursos de formação de professores de Geografia a partir da década de 50, do século XX, muitas turmas ingressaram e se qualificaram tanto nas universidades públicas quanto nas privadas e posteriormente atuava nos diferentes níveis de ensino.

Mas, com a entrada em vigor da Lei 4024/61 que estabelecia as Diretrizes e Bases da Educação Nacional, os cursos de Geografia passaram a ter uma nova regulamentação, isto é, foi estabelecido um currículo mínimo e de caráter nacional para os mesmos.

Após esta regulamentação, houve também a Lei da Reforma do Ensino Superior 5540/68 que instituiu que o Ensino Superior deveria ser organizado sob a forma de Universidade, o que contribuiu para a expansão do Ensino Superior no país. Em virtude da aprovação da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional 5692/71 (LDB) efetivou-se também a expansão dos estabelecimentos com licenciatura curta em todas as áreas de ensino. Criou-se, então, o curso de graduação em Estudos Sociais, substituindo os cursos de graduação em Geografia e História.

Em resposta a tal aprovação, houve reação por parte dos geógrafos brasileiros a respeito da criação desta licenciatura. Fato que pode ser observado através de críticas feitas pelo Boletim Paulista de Geografia de 1981 que aponta

Seabra questionava a maneira pela qual se pretendia chegara essa integração: a formação polivalente de professores que recebiam um verniz das diferentes disciplinas, História e Geografia, sem que tivessem, durante o processo de formação, uma reflexão profunda sobre os fundamentos epistemológicos de cada disciplina. Segundo o autor, retirava-se da relação entre ensinar e aprender sua propriedade fundamental, ou seja, preparar o sujeito para estar no mundo, para agir no mundo e participar da construção da realidade social

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presente e futura. (PONTUSCHKA, 2007. p. 65).

Com a criação dos Estudos Sociais, a situação do professor ficou ambígua, pois a política educacional estruturada separava licenciatura do bacharelado. Essa dicotomia instaurada

[...] vem se perpetuando nas universidades até a atualidade. É idéia corrente acreditar que o bacharelado tem status superior à licenciatura por formar o geógrafo-pesquisador, enquanto a segunda forma “apenas” o professor, cuja função se restringe à transmissão dos conteúdos resultantes das pesquisas realizadas pelos pesquisadores. (PINHEIRO, 2006, p. 93)

Conforme Pinheiro (2006), muitas pesquisas foram realizadas sobre o ensino de Geografia no Brasil, entre o período de 1968 e 2003. Pesquisas que dirigiam seus interesses com a temática da formação de professores e da licenciatura. A maioria das dissertações e teses

[...] evidencia o distanciamento, na formação acadêmica, entre os conteúdos pedagógicos, conteúdos específicos e a realidade do trabalho docente, ocasionando, na prática dos professores, diversos problemas. A falta de articulação das áreas, de métodos, conteúdos, entre outros aspectos, ainda revela o pouco interesse no meio acadêmico, pelas licenciaturas e demais cursos de formação de professores. (PINHEIRO, 2006, p. 93)

A conclusão apontada por este autor é

O curso de licenciatura tem apresentado diversos problemas quanto à sua função na formação de professores, sobretudo, por não ter atendido às necessidades da formação para todos os níveis do ensino. Os entraves existentes na licenciatura são vários, mas no caso da Geografia, considerando o que revelam as pesquisas, estão relacionados à desarticulação entre a formação acadêmica e a prática docente. Os problemas residem na organização dos cursos, em sua desvalorização por alguns institutos e professores das disciplinas específicas e pedagógicas, além de sua pouca inserção na realidade. (PINHEIRO, 2006, p.94).

Entretanto, essa situação começou a mudar no início da década de 80 quando professores, alunos, entidades de classes manifestaram-se contrários a essa política de formação dos docentes. Conforme Pinheiro (2006, p. 95), entidades como AGB e a Associação Nacional dos Professores de História (ANPH) “propuseram novas alterações nos currículos dos cursos de formação de professores”. Houve de certa forma um avanço, isto é, era possível cursar dois anos de Geografia ou História e obter licenciatura plena em uma dessas áreas. Porém, este modelo não foi satisfatório sendo gradativamente extinto na década de 90 e substituído pelas licenciaturas específicas das mesmas.

Com a Novada Lei de Diretrizes e Bases (LDB) (Leinº 9394/96) novas reformas foram realizadas pelo governo Federal, sendo a escola básica dividida em Ensino Fundamental e Ensino Médio. Foram adotados também os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs) para o ensino básico e elaboradas as Diretrizes Curriculares Nacionais (DCN) para os

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cursos superiores de graduação.

Assim, as décadas de 80 e 90, do século XX, foram intensas para a renovação da Geografia nas escolas. Houve debates, tendências e propostas curriculares, em que foram postas à disposição dos professores, bem como a dos responsáveis pela formação docente. O objetivo dessas produções era minimizar a distância entre o Ensino de Geografia e a realidade social, política e econômica do país. Foi com esse propósito que se iniciou um movimento de renovação escolar. Renovação que começou, num primeiro momento com a reestruturação acadêmica dos cursos de Geografia e abriu caminhos também para, uma reestruturação dos conteúdos programáticos e práticas escolares abordados no ensino básico de Geografia.

REFERÊNCIAS

LACOSTE, Yves. A Geografia serve, antes de mais nada, para fazer a guerra. Iniciativas Editoriais, Lisboa, 1977.

MARTINS, Rosa Elisabete Militz Wypyczynski. O ensino de Geografia em Questão: Um olhar sobre

o ensino médio. In: 28º Reunião Anual da Anped, 2005, Caxambu/MG. 40 anos de Pós-graduação no Brasil: produção de conhecimentos, poderes e práticas, 2005. Disponível em: <http/Avww.upf.br> Acesso em: 15 fev. 2009.

MORAES, Antônio Carlos Robert. Pequena História Crítica. 10. ed. São Paulo: Hucitec, 1991.

PARÂMETROS CURRICULARES NACIONAIS. INTRODUÇÃO aos parâmetros curriculares nacionais. Secretaria de Educação Fundamental. Brasília: MEC/SEF, 1997.

PINHEIRO, Carlos Antônio. Dilemas da Formação do Professor de Geografia no ensino Superior. In: CAVALCANTI, Lana de Souza (Org). Formação de Professores: Concepções e Práticas em Geografia. Goiânia: E.V., 2006.

PONTUSCHKA, Nidia Nacib; PANGANELLI, TomokoLyda; CACETE, Núria Hanglei. Para ensinar e aprender geografia. 1. ed. São Paulo: Cortez, 2007. Coleção docência em formação. (Série ensino fundamental).

ROCHA, Genylton Odilon Rêgo da. Uma breve história da formação do (a) professor (a) de Geografia no Brasil. Terra Livre, São Paulo, n.15, 2000. p.129-144.

SANTOS, Milton. Por uma Geografia Nova: Da Critica da Geografia a uma Geografia Critica. 1. ed. Hucitec (Edusp), São Paulo, 1978.

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CAPÍTULO 2

. UNIVERSIDADES OCIDENTALIZADAS: DA CANONE EPISTEMICA DO SECULO XVI À CONTRA HEGEMONIA NO SECULO XXI

Data de aceite: 02/08/2021

Tiago Sandes Costa

Programa de Pós-graduação em Geografia (Tratamento da Informação Espacial) PUC- Minas

Belo Horizonte, Minas Gerais https://orcid.org/0000-0003-1772-7225

RESUMO: O artigo faz um diálogo a partir da consolidação do conhecimento geográfico a partir das eminentes discussões proposta por Ramón Grosfoguel fazendo uma interlocução na contemporaneidade com o processo de globalização discutida por Milton Santos, David Harvey, entre outros. O objetivo é contribuir com o debate epistemológico no que concerne a influência hegemônica do pensamento geográfico, constituído no século XVI, fazendo um reconte temporal para o século XXI. Metodologicamente, a pesquisa tem um caráter teórico, com um aporte literário consistente,